ENTREVISTA
Stanislas Dehaene: O processo de alfabetização muda o cérebro
Especialista francês faz seminário no Rio que será transmitido para o Recife
site http://jconline.ne10.uol.com. br/canal/mundo/brasil/noticia/ 2012/06/30/stanislas-dehaene- o-processo-de-alfabe
Publicado em 30/06/2012, às 14h00
Stanislas Dehaene critica método de alfabetização brasileiro
Divulgação

O Rio recebe,
na sexta-feira, o matemático e neurólogo Stanislas Dehaene, diretor da
Unidade de Neuroimagem Cognitiva do Collège de France e uma das maiores
autoridades mundiais no estudo do cérebro. Dehaene ministrará o
seminário Os Neurônios da Leitura, promovido pelo Instituto Alfa e Beto.
Dehaene concedeu entrevista por e-mail ao JC. Em seus estudos, ele
refuta o método de alfabetização usado no Brasil. O evento será
retransmitido ao vivo em videoconferência para oito capitais, entre elas
o Recife. Na capital pernambucana, o encontro, aberto, ocorrerá no
auditório do antigo prédio da FIR, na Madalena. As inscrições podem ser
feitas pelo e-mail micheline@alfaebeto.org.br.
JORNAL DO COMMERCIO – Suas pesquisas
permitem concluir que algumas estratégias e métodos de alfabetização são
mais eficientes do que outros? O que o senhor pode dizer sobre o
construtivismo, principal inspiração das políticas de alfabetização
adotadas no Brasil?
STANISLAS DEHAENE – As pesquisas
realizadas nos últimos 30 anos pela minha equipe, com a ajuda de
técnicas usadas pela neurociência, refutam o princípio construtivista,
segundo o qual a criança testa hipóteses para acabar descobrindo, por si
mesma, os mecanismos da leitura. Ao contrário, as evidências indicam
que a alfabetização é muito mais rápida quando se ensina explicitamente
quatro pontos básicos. Primeiro, o fato de que as letras representam
diferentes sons. É preciso ajudar a criança a identificar os diferentes
sons que compõem uma palavra para depois fazê-la compreender que as
letras representam esses sons. O segundo elemento é sobre a combinação
das letras ou dos grafemas. A criança precisa aprender a forma de juntar
letras para produzir o som. O terceiro aspecto é a direção da leitura,
que deve ser da esquerda para a direita: lemos li, e não il. Por último,
a criança deve ser
instruída para perceber que uma mesma forma gráfica pode representar
letras e sons diferentes dependendo da posição.
JC – Aprender a ler e escrever requer o
desenvolvimento de habilidades cognitivas diferentes daquelas
necessárias para se compreender um texto?
DEHAENE – Minhas pesquisas tratam apenas
da aquisição da leitura, do processo de aprendizagem do código
alfabético. A compreensão do que se lê requer a mobilização de
competências cognitivas muito mais complexas do que as envolvidas no
processo da alfabetização. Para compreender não é necessário saber ler.
Os adultos analfabetos que estudam no Brasil entendem muita coisa,
apenas não aprenderam a ler. A alfabetização é uma condição necessária,
mas não suficiente para a compreensão.
JC – Há alguma idade melhor que outras
para se alfabetizar? Existe uma maneira objetiva de se avaliar o nível
de alfabetização de uma criança?
DEHAENE – Uma criança deve começar a se
alfabetizar aos 6 anos e esse processo estará concluído em um ano. Em
alguns idiomas, porém, o processo pode demorar mais porque o tempo
necessário para se alfabetizar uma criança está muito relacionado à
transparência do código alfabético da língua que ela fala, ou seja, se a
correspondência entre som e letra é maior ou menor. Quanto mais direta a
relação, mais rápida a alfabetização. No Brasil apresentarei um quadro
que compara os resultados da capacidade de leitura de alunos de
diferentes países. O teste utiliza palavras e pseudopalavras, que são
palavras que poderiam existir, mas não são usadas. No Brasil, por
exemplo, a palavra vuvuzela só foi conhecida na Copa do Mundo da África
do Sul, mas logo todas as pessoas alfabetizadas foram capazes de
escrevê-la corretamente, pois conhecem o código alfabético. E muitos o
fizeram sem conhecer o sentido da
palavra
. - Diretor da Unidade de Neuroimagem Cognitiva INSERM-CEA
- Professor no Collège de
France , cadeira de Psicologia Cognitiva Experimental Verifique aqui pa
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
- Dehaene , S. (Ed.) a cognição numérica. Oxford, Blackwell.
- Dehaene , S. (Ed.) Le cerveau ação en:. l'Imagerie cérébrale en psychologie cognitive Paris: Presses Universitaires de France, 1997.
- Dehaene , S. La Bosse des Maths. Paris: Odile Jacob, 1997.
- Dehaene , S. O sentido de número. New York: Oxford University Press, 1997; Cambridge (UK): Penguin Press, 1997.
- Dehaene , S. (Ed.) A neurociência cognitiva da consciência . MIT Press, 2001.
- Dehaene , S. DUHAMEL, JR, HAUSER, M. e Rizzolatti, G. (Ed.) do cérebro do macaco ao cérebro humano (Fyssen Foundation Symposium) . MIT Press, 2005.
- Dehaene , S. Les Palestra Neurones de la . Odile Jacob, 2007. Cliquez ici fluidez mais de detalhes sur ce livre
- Dehaene , S. Leitura no cérebro . Viking Penguin, setembro de 2009.







Nenhum comentário:
Postar um comentário